terça-feira, 19 de maio de 2009
Cidade das formigas
Recebi um vídeo que tenta mostrar de como é um formigueiro por dentro, algo que quando eu era criança sempre quis saber. Segue o vídeo:
segunda-feira, 18 de maio de 2009
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Pausa para respirar

Consegui comemorar meu aniversário, no último dia 3, com várias pessoas queridas e com vários eventos celebrando mais uma passagem de tempo da minha vida.
Se eu pudesse resumir minha última semana numa só palavra, escolheria intensidade. Tudo foi vivido e sentido desta forma.
Às vezes me assusto com a mudança que chegou na minha vida, como desconfiada que sou, fico observando pra ter certeza das minhas atitudes. Mas não consigo viver sem responder os estímulos, se me provocam respondo com provocação e assim sucessivamente.
Esta atitude de observar e depois partir para ação é muito paradoxal com a outra atitude de responder a estímulos. Tentando explicar, eu sigo o impulso, mas com uma vozinha interior me avisando que as coisas podem dar errado. Tento, mas sem o sucesso absoluto, a não usar somente emoção. A minha razão fica o tempo todo me cobrando uma escolha mais ponderada.
Para dar um bom exemplo, imagina que você visualiza o seu objeto de desejo dentro de um lago fundo e escuro. Você ficaria na margem para tentar ter uma visão melhor antes de entrar no lago ou vai entrando sem medir as consequências? A minha escolha é sempre a mescla das duas, não me jogo no lago atrás do meu objeto e também não fico muito na margem pra tentar conhecer o lago. Simplesmente vou nadando de encontro ao meu objeto, de uma forma que vejo cada metro do lago por vez.
Não consigo manter uma passividade e nem vou apenas pelo impulso. Alguns dirão que é a atitude mais correta. Mas sinceramente, tem vezes que é melhor ter uma atitude mais passiva. Vai que o objeto de desejo vem de encontro ao invés de você ir de encontro a ele.
Meu questionamento no momento é seguir o impulso ou se manter passivo e os ganhos disso tudo.
Só um lembrete do Quintana

'A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Mário Quintana
terça-feira, 5 de maio de 2009
Sentir-se amado
Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?
Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".
Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."
Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.
Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.
Martha Medeiros
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Exercício de sonhar

Um dia sonhei que estava num ônibus de viagem. Neste ônibus estavam várias pessoas, porém tinha um homem que chamava atenção. Ele era extremamente engraçado, muito bonito, possuía um grande magnetismo e não ficava sentando no seu assento.
No decorrer da viagem, ele conversava com todos do ônibus. As pessoas o olhavam com muita admiração, existem pessoas que atraem os olhares e atenção e isso não se explica.
Eu estava sentada na poltrona e também era uma que admirava aquela figura. Me interessei por aquele homem. Ele era o homem que eu gostaria de ter um relacionamento.
Em um determinado momento da viagem, aquele homem resolve tirar a roupa. E tira peça por peça até ficar nu e provocar o espanto nos passageiros do ônibus. Mas mesmo assim, continuou com todos os olhares em cima de si. E isso me deixou mais interessada naquele homem sem pudores, que jogou todas suas armas fora.
Inesperadamente, percebo que não estou mais sentada no meu assento, noto que não estou usando roupas. De repente descobri que aquela pessoa que eu admirava, era eu mesma. E então o corpo masculino que eu via, se transformou no meu corpo. E assim entrei numa outra fase da vida, que era me admirar e me apaixonar por mim mesma.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Eros e Psique
Conta a lenda que dormiaUma Princesa encantada
- Fernando Pessoa
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
