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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Sobre ontem...


Apesar da imprensa estar fazendo todo um estardalhaço com o fato do primeiro negro ocupar o cargo de presidente de uma grande potência mudial, eu não me influenciei para colocar minhas postagens de ontem. Não sou ingênua.

Tenho estudado sobre minorias, enfaticamente na mulher. Preciso desenvolver uma tese sobre isso. A minha empolgação vem deste estudo. Estou mais linkada (devido aos livros que estou lendo) com Martir Luther King do que Obama e seu discurso de primeiro presidente negro.

As minhas leituras estão acompanhando os movimentos que ocorreram no final da década de 60 e começo de 70. Vou começar a ler Simone de Beauvoir. Estou um pouco reticente de ler sobre o feminismo. Acho que medo de não gostar e assim arruinaria todo meu tema da minha tese.

Estou muito dividida e não sei qual caminho escolher. Isso é insegurança de não dar conta do trabalhão que vou ter pela frente. Tem dias que só penso nisso. Ano que vem, tenho que estar com esta proposta de tema de tese já encaminhada.

Paralelo a isso, minha vida profissional está tomando o rumo que eu investi durante toda minha vida. Porém de 2 anos atrás, resolvi mudar o ramo de atuação e assim tentando mudar de rumo. Mas nada acontece do jeito que esperamos e não estou tendo sucesso com minha nova escolha. Resumo ou continuo e desenvolvo meu potencial no que já estava fazendo antes ou fico aguardando uma possibilidade que nunca aparece.

Para exemplificar: Imagina que dois carinhas estão interessados em você. Um é figurinha repetida e o outro é novidade. Você se interessa mais pela novidade, mas percebe que a novidade pode não ser tão boa quanto a figurinha repetida. E a figurinha repetida está se revelando ser muito especial e nunca foi valorizado por você. Analisando racionalmente, a figurinha repetida pode trazer mais coisas boas do que a novidade.

Então há uma briga entre investir numa paixão ou ficar presa na segurança. Acabo fazendo o paralelo entre a minha postagem de escolhas a curto e longo prazo. Não sou mais tão nova para ficar dando cabeçada por aí. Eu tenho que pensar mais no meu futuro. Seria mais fácil se meus olhinhos não brilhassem tanto ao vislumbrar uma nova paixão.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Escolhas a curto prazo e a longo prazo

A uma eternidade atrás eu ganhava um salário mínimo, e eu dava um valor muito grande ao meu pouco dinheirinho. Eu morava ainda com meus pais e não tinha muitas responsabilidades. Naquele momento, as minhas escolhas eram a longo prazo. Nenhuma compra que eu fazia era por impulso, por futilidade.

Eu sempre imaginava um futuro no qual eu ganhava mais e não precisava ter tantas limitações. Nem todos finais de semana eu podia sair e mesmo assim eu era feliz. Buscava programas baratos ou de graça. Praia era uma destas escolhas, passear no shopping era outra. Era uma vida limitada.

Mesmo assim, eu separava 50 reais do meu salário e aplicava na poupança. Eu não entendia nada de investimento e me asseguraram que poupança era seguro. Eu juntava este dinheiro sem nenhum próposito certo. Seria um dinheiro para emergências e se eu não precisasse, seria minha entrada na casa própria. Aquele dinheiro poderia ser usado também numa viagem ou na compra de um carro. Isso tudo a longo prazo.

Hoje a minha vida não é esta dureza toda. Além do meu salário maior, as minhas escolhas passaram a ser de curto prazo. Geralmente, as pessoas vão ficando mais velhas e mais cautelosas com o bolso. Comigo aconteceu o contrário. Vivo e gasto como se não houvesse amanhã. Não troco uma viagem, um show, um tratamento de beleza, por nada neste mundo.

Talvez minha escolha mudou, depois que uma arma foi apontada para minha cabeça. Eu tinha 20 anos. Naquele dia, não houve despedidas de pessoas queridas, não tive uma boa notícia, meu coração estava vazio, não tinha realizado nada ainda. Foi um dia bem rotineiro e pensei em morrer tendo certeza que a minha vida não tinha valido a pena.

Ter vivido alguns anos da dureza me deixaram com mais vontade de viver e aproveitar mais a vida. Tem dias que questiono isso tudo, as escolhas a curto prazo influenciam outros campos da minha vida. Como quase tudo que gosto e não me preocupo como deveria com meu peso. Se fosse uma escolha a longo prazo, aplicava uma alimentação mais saudável e beberia bem menos. A minha futura silhueta me agradeceria.

De qualquer forma, acredito que viver como se não houvesse amanhã não é uma boa escolha. Vai que eu morro com 92 anos. Tenho que me proporcionar qualidade de vida num possível futuro. Mesmo que ele possa não chegar. Parece clichê, mas o equilíbrio entre escolher a curto e longo prazo. Deixar uma reserva, mas não deixar de fazer coisas que tornem a vida menos dura.

E qual é a sua escolha?