terça-feira, 30 de setembro de 2008

Quando a morte vem nos visitar

A primeira vez que vi a morte eu tinha 20 anos. Fui vítima de um sequestro relâmpago. Arma apontada para mim e tudo de mais bizarro de um assalto. Porém não vou aqui lembrar da parte triste. Vou relembrar o que senti e pensei. Eu tinha certeza que os bandidos me matariam. Ñão sei dizer porque pensava nisso, mas pensei nisso a todo momento.

Já que a morte era certa, não tive medo. Os bandidos não me intimidavam. Eu aceitei a morte e fui extremamente corajosa durante todo o sequestro. Enfrentei os bandidos e negociei pelos meus documentos.

Mas só me arrependia de uma coisa. Naquele dia tive um dia de merda. Não tinha me despedido de ninguém. Não disse um "eu te amo" durante aqueles dias. Sempre achava que a minha morte seria precedida por algo muito importante.Talvez por isso achei que não valeria a pena morrer naquele dia.

Ontem, pegue um ônibus nesta Hell´s city e dentro túnel rolou um tiroteio. Pois é, me abaixei no ônibus e passei pelo mesmo blá blá mental. Só que a diferença era que ontem valeria a pena morrer. Se eu morresse ontem, morreria com a certeza do meu dever cumprido.

Domingo passei um dia maravilhoso com a minha mãe. Fomos no cinema e nos divertimos juntas. E antes do tiroteio estava na casa do meu pai. E lá passei um dia inesquecível. Onde brinquei com a minha sobrinha e me diverti com a minha irmã. E ainda conversei com meu velho.

Para uma segunda feira, outras coisas boas aconteceram. Fiz uma entrevista de emprego num local que sempre desejei trabalhar. E falei com uma pessoa especial no telefone. Por isso repito, ontem se eu morresse, morrerria completamente feliz.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O meu lado masculino

Fui criada numa família de mulheres de personalidades fortes. A mulher de uma maneira geral é forte, algumas não percebem devido à construção da identidade feminina ao longo dos séculos.

Mulher sempre foi associada à postura frágil do ser humano. Porém um humano que pode parir não pode ser considerado algo frágil. A fragilidade é algo cultural que nos foi colocado.

Eu nunca quis ser frágil. Fragilidade para mim é sinal de fraqueza. Ser fraco para mim é um defeito. Se fosse para adquirir uma identidade, eu preferia a masculina. Ser homem é muito mais interessante.

Por exemplo, o menino não possui as responsabilidades domésticas da menina. Sei que fui criada numa família bem machista, porque quando as mulheres resolvem ser machistas, elas são bem piores do que os homens machistas.

Para o menino a sua infância é mais livre. Da menina é uma preparação para o casamento. Eu ainda lembro do discurso da minha avó de que a mulher que não sabe fazer serviço de casa, mesmo que tenha dinheiro, não vai saber mandar.

Eu não quero mandar, eu não quero é ter que me preocupar com isso. O mundo era muito maior e restringiam meu futuro como a madame que delega ordens no seu barraco.

Uma coisa que invejo os homens é capacidade de se relacionar com várias mulheres. A mulher foi doutrinada para ter um pensamento bem monogâmico. Eu não estou levantando a bandeira da libertinagem, da traição e nada disso.

A minha abordagem se restringi a sentimento. Não acho admirável de múltiplas relações com nenhuma profundidade. Acho interessante o fato de o homem separar o sexo do amor. Eu acho que ao longo da minha curta vida, eu consegui separar em algumas situações. Mas não foram em todas.

A minha adolescência fui cercada de amigos. Obtive louvor como a amiga mais masculina de todas. Os homens compartilhavam coisas comigo e não faziam isso com outras amigas. Mas sempre ficava no entre, pois não era tão masculina e nem era feminina.

Atualmente estou valorizando a minha porção feminina. Ela é muito importante também e está associada ao meu sexo. Hoje, se eu fosse decidir qual identidade eu teria, não escolheria nenhuma. Quero ser livre pra inventar um novo gênero, que não se classifica em nenhuma sopa de letrinhas.

Não sou gay, mas tenho muito tesão em homem. Não sou lésbica mas acho as mulheres divinas e tenho uma profunda admiração. Não sou drag, mas adoro seus excessos. Não sou bi, mas adoro a diversidade proporcionada por esta opção.

Portanto, neste processo de autoconhecimento, vou descobrindo uma nova opção de ser. Não vou me definir com conceitos existentes. Viverei em um criado por mim e assim serei feliz.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Exercício de preservar

Estou numa sinuca de bico no trabalho. Não quero expor minha vida. Porém tenho recebido telefonemas que não quero compartilhar com meus colegas de trabalho. Por mais que eu fale baixo, a proximidade das mesas faz com que seja mais fácil de ouvir a conversa alheia.

A minha vizinha de cadeira, por exemplo, é uma que sei de tudo que acontece na vida dela. Sei quando o cachorro dela come o sofá, quando o filho chora, do irmão desempregado que não quer trabalhar e do marido esquisito que ela tem.

Mesmo eu não querendo, compartilho todos estes momentos. Por mais que seja curioso e tentador querer saber a vida alheia, fico constrangida com a riqueza de detalhes. Tem vezes que consigo ouvir a voz do outro lado da linha da ligação dela.

Eu toda preocupada em não me expor e a criatura expondo todos seus problemas. Pior que não dá para usar o meu celular, pois ele não tem sinal aqui no prédio. Estou torcendo para que ninguém me ouça e que minha privacidade seja mantida no meu trabalho.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Quem sou Eu?

Sou feminina e do sexo feminino. Tenho 27 anos e moro no Rio de Janeiro. Já tive um blog anterior, nele eu me identificava e tinha meia dúzia de leitores. Alguns amigos reais, outros virtuais.

Criei este blog pra dizer coisas muito íntimas. Por isso é preciso que minha identidade fique escondida. Não quero expor pessoas e situações. Quero ser livre para falar de sentimentos e decepções.

Não serei hipócrita de achar que se alguma pessoa que me conhece, se ler este blog não me reconhecerá. Porém não me revelar faz com que me sinta mais segura para escrever e errar.

As histórias aqui contadas podem ser reais, outras criadas na minha imaginação e podem até ter acontecido com amigos meus. Tem postagens que falo de sentimentos e situações passadas. Acabo falando de coisas não superadas e é uma forma de análise da minha vida.

O grande objetivo é organizar meus pensamentos de forma escrita. É meu exercício de escrever.

P.S.: Este post é para agradecer as visitas e explicar minha identidade secreta. :-D

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Exercício do sonhar

Depois de uma semana que vi o filme Cidade dos sonhos ainda estou com ele no subconsciente.

Vou narrar uns sonhos que tive esta noite.

Num sonho eu via uma casa com várias pessoas ruivas, pareciam escoceses. Um senhor com muitas posses e sua esposa, com muito filhos. Ainda tinha uma babá negra. Parecia que era em outro século.

O filho mais novo era um bebê e era menina. Um bando sequestra a babá e esta criança. Eu percebia que a babá poderia fugir a hora que quissesse, mas não conseguiria levar o bebê consigo.
Como a babá amava este bebê, ela não fugiu. Teve um momento no sonho que o sequestrador parou num lugar e a babá saiu para comprar cobertores para o bebê, pois sabia que no cativeiro seria frio.

Depois começaram a aparecer toboáguas iguais a um parque aquático que tem no Rio de Janeiro. A sensação que eu estava descendo em um deles.

Aí entrou numa outra parte do sonho. Neste eu aparecia e estava nos dias de hoje. Só que eu morava no quartinho que tem nos fundos da casa da minha tia-avó.

Este quarto ficava num segundo andar e na descida da escada tinha uma piscina. Eu olhava para piscina e só pensava em transar nela.

Eu perdia a chave deste quartinho. Por algum motivo tirei a chave do meu chaveiro. Então fiquei presa do lado de fora da minha casa e no quintal da minha tia.

Por isso ela resoveu me dar um banquete com comidas baianas. Eu odeio comida baiana e por isso não toquei em nada no sonho.

A ligação entre meus sonhos nonsense com o filme cidade dos sonhos é a chave. A chave azul do filme estava nos meus sonhos.

Esta chave aparece no momento que o filme dá uma reviravolta. Nada do que era continuou da mesma forma. O que será que vai acontecer comigo?

TEMPO

















Time
Pink Floyd
Composição: Mason, Waters, Wright, Gilmour


Ticking away the moments that make up a dull day
You fritter and waste the hours in an offhand way.
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way.

Tired of lying in the sunshine staying home to watch the rain.
You are young and life is long and there is time to kill today.
And then one day you find ten years have got behind you.
No one told you when to run, you missed the starting gun.

So you run and you run to catch up with the sun, but it's sinking
And Racing around to come up behind you again.
The sun is the same in a relative way, but you're older
Shorter of breath and one day closer to death.

Every year is getting shorter, never seem to find the time.
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desparation is the English way
The time is gone the song is over, thought I'd something more to say

Home, home again
I like to be here when I can
When I come home cold and tired,
It's good to warm my bones beside the fire
Far away across the field
The tolling of the iron bell
Calls the faithful to their knees
To hear the softly spoken magic spells.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008





Eu vi um percevejo num prédio histórico em uma grande metrópole.

A fumaça dos carros estavam pretas. Os roncos dos motores estavão altos.

Este encontro foi inusitado. A última vez que vi um inseto desses, ainda era criança e brincava em árvores.

Fugi dele pelo horror ao sentir seu fedor. E quando ele cisma em pousar numa pessoa, além do péssimo odor, ainda queima o coitado que não percebe.

Bichinho estranho, resistente como uma barata. Vivendo em centros urbanos onde o fedor que dele exala não é maior do que o que sentimos andando pelas ruas sujas e poluídas.

Ninguém o viu além de mim. Dei uma risada, por lembrar de como já temi este hemíptero. E lá estava ele faceiro escalando um prédio não dando importância nada em sua volta. Nem a mim que o vi.